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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

18.Abr.07

VELHICE

A velhice é um decurso pessoal, natural, incontestável e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nesta etapa da vida surgem transformações biológicas, fisiológicas, psicossociais, económicas e politicas que compõem o quotidiano dos indivíduos.

Tem-se por hábito dizer que a idade que determina a velhice do ser humano são os 65 anos, que se considera quando se encerra a fase economicamente activa do indivíduo e começa a reforma. Mas um estudo visando um levantamento estatístico mundial feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida, alteou a idade para os 75 anos.

Em muitas culturas e civilizações, o idoso não é mais que um velho, ultrapassado, um fracasso do potencial do ser humano; mas noutras, como as orientais, o idoso é visto com respeito, admiração e até veneração, representando para os mais novos um manancial de experiência, do saber acumulado, da prudência e da reflexão.

Mas o ser humano tem duas formas de receber as mudanças que surgem com a idade: positivamente, de uma maneira tranquila e consciente ou de uma maneira mais negativa, com muita intensidade, nada convicta e nada pacífica, mas tudo depende da relação de cada indivíduo com a velhice.

Existem, Mudanças Físicas, graduais e progressivas: o aparecimento de rugas; diminuição da força muscular; aparição de cabelos brancos; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual); distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória,… Mudanças Psicossociais, alterações  afectivas e cognitivas: percepção da aproximação do fim da vida; sensação de inutilidade; solidão; segregação familiar; afastamento de outras faixas etárias; decadência do prestigio social e de valores;  Mudanças Funcionais: mais cedo ou mais tarde, surge a necessidade quotidiana de ajuda para desempenhar as actividades básicas;    Mudanças Socio-económicas: suspensão da sua actividade profissional, reforma, por vezes dificuldades monetárias.

O crescimento da população de idosos nota-se claramente e inequivocamente na Europa e no resto do mundo desenvolvido, porque felizmente a velhice não é a mesma coisa que doença. Nos dias de hoje, quem tem 50 anos espera chegar aos 100 anos e com uma saúde muito satisfatória.

É interessante observar uma tendência de melhora na saúde de pessoas com mais de 70 anos, se a compararmos com a de pessoas entre os 50 e os 70 anos. Isto reflecte-se porque cada vez mais, os idosos têm consciência que uma alimentação correcta, a actividade física e um bom estado psicológico formam a base de uma melhoria de vida e da saúde. O sal e a gordura animal são os grandes e verdadeiros perigos da alimentação e devem ser evitados; a actividade física feita com regularidade fornece inúmeros benefícios com relevo nas doenças cardiovasculares; a depressão, o stress, a ansiedade são muito prejudiciais para a nossa saúde, tendo repercussões na nossa imunidade e devem ser contendidas; assim como a utilização constante da mente é fundamental para uma boa saúde.

Um indivíduo só se vai preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e receios. Muito frequentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, reflectindo-se organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.

Estudos recentes comprovaram que o avançar da idade não determina a deterioração do intelecto, pois ele está associado à educação, ao padrão de vida, à vitalidade física, mental e emocional.

 

No dia-a-dia, vê-se demasiadas formas de discriminação, mas o envelhecimento é uma das mais notadas. Mas cada vez mais, luta-se pelos direitos dos idosos, espero eu, que providenciando o cumprimento das leis existentes, e tomando medidas mais eficazes que impeçam e interditem atitudes de maus tratos, faltas de respeito e falta de sociabilidade do qual o idoso é um alvo delicado e fácil. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas, tudo depende da postura e do interesse de cada um, em viver a sua idade como acha que se sente mais feliz e realizada. A reforma tem suas implicações negativas, por isso é preciso rever essa atitude de reformar seres inteligentes e capazes de dar muito de si pelo mercado de trabalho, desde que se enquadrem no sítio mais correcto, aproveitando a sua experiência sendo esta bem colocada e aproveitada.

Enfim, o envelhecimento não pode ser visto pela sociedade, médicos, família e patrões sob os olhos da discriminação. Não só as pessoas envelhecem, também as gerações, por esse motivo é preciso agir de forma concreta e segura contribuindo no resguardar de uma etapa da vida humana com saúde, qualidade, dignidade e respeito.